The End Of Forever
Podia ouvir o vento balançando as folhas das árvores. Meu cabelo voava cada vez mais forte quando o vento batia diretamente nele. Havia uma pracinha perto de minha casa,eu estava lá. Uns garotos jogavam futebol enquanto algumas crianças corriam de um lado para o outro deixando suas mães desesperadas a ponto de fazer fios castanhos de seus cabelo virarem brancos em apenas um segundo.
Eu estava escrevendo no meu diário,o único que me ouvia sem dizer que era a favor ou contra do que eu fazia e contava para ele. Ele apenas ouviria. Seria o mesmo que conversar com plantas,mas plantas que deixam gravadas o que você escreveu á ela -deixando claro que só loucos escreveriam a plantas-,para quando chegar em um ponto melhor do que você está,as escrituras serviriam apenas para recordar lembranças ruins. Eu não podia reclamar,eu não estava em um ponto ruim.
Fechei os olhos por um momento para tentar lembrar do caminho que me fez chegar onde eu estava,o vento bateu novamente em meu rosto fazendo meu cabelo voar contra ele,dessa vez na direção Leste. Procurei me concentrar em meus pensamentos,mas os gritos,os berros das crianças que estavam na praça não deixaria eu ouvir se quer alguém que estaria ao meu lado. Nesse caso,a minha melhor amiga.
Eu estava deitada sobre a cabeça em sua perna,ela continuara a ouvir músicas pensando,talvez,em um conto de fadas que ela achara que poderia acontecer com ela. Não dominando ela de pirada,ou doida,mas normal com certeza ela não era. Olhei fixamente em seu rosto,ela observara os garotos do campinho,na minha opinião ela já tinha escolhido um time para torcer,já que a cada gol que saira ela comemorava balançando uma das mãos,fechadas.
Ela finalmente olhou para mim e deu um imenso sorriso quando percebeu que eu estava a tempos a observando.
A tarde tinha acabado de terminar,provavelmente para uns,isso significava descanço,mas para mim era apenas o começo de uma longa noite. Cheguei em casa já vendo o que tinha para o jantar. Abri a geladeira,nada. Abri o ármario,nada. Abri por fim as panelas que estavam no fogão,e lá só havia um pedaço de carne com uma pouco de macarrão que ia servir para o meu irmão comer quando chegasse. Tudo bem,eu não queria nada mesmo.
Subi as escadas de minha casa parando somente para acariciar meu gato,depois fui tomar um longo banho para acalmar os músculos e me arrumei para ir ao Hospital,onde eu estava apenas de estagiária,mas como eu gosto de dizer,o lugar que será futuramente o meu emprego fixo.
Muito bem,desci as escadas correndo,á ponto de cair,quebrar a perna e não ir trabalhar. Por um lado era o que eu queria,já que o dia tinha sido cheio,principalmente depois da briga com meu irmão. Por um lado isso já era normal.
Dei comida ao gato e peguei as chaves em cima da escrivaninha da sala. Passei pela porta e a tranquei. Ouvi um carro encostar provavelmente era o meu irmão. Dei alguns suspiros e me virei para olhar. Na mosca.
-Não acha que está atrasada? - Perguntou ele,saindo do carro.
-Em menos de 20 minutos eu pego um ônibus e chego lá. - Respondi,passando direto.
-Bih ... - Ele me gritou. Bih era o apelido que ele tinha me dado,já que eu tinha inventado um a ele. Parei e virei para olhá-lo. - Maninha isso tem que parar. Eu admito que fui um estúpido na briga de hoje,eu falei coisas que não devia falar. Sinto muito mesmo. - Disse ele,vindo na minha direção.
-Leb ... -Pausei. - Você ... Olha,eu sei que as coisas por aqui estão ficando cada vez mais apertadas e ruins,mas o que você me disse hoje ... O que você me disse me fez sentir como um lixo. Como se eu não te ajudasse com as coisas,como se eu fosse culpada por tudo que tem acontecido nos últimos anos ...
-Ou seja eu fui um estúpido,eu admito isso. - Disse ele
-Caleb,eu não estou te chamando de estúpido,sei que você foi principitado,principalmente quando disse que a culpa da nossa mãe ter morrido foi minha. Eu sei o quanto você deve ter sofrido. Você nasceu primeiro e já tinha oito anos quando eu nasci,então ela morreu e te causou dor ... Você deve ter achado que colocar a culpa em mim te traria menos peso,menos dor,mas depois você percebeu que não,que nada do que dissesse traria diferença. Você errou,eu sei disso,você sabe,papai também ... Mas você é meu irmão,eu tenho que te perdoar. Eu nunca vou querer viver em uma situação crítica,em uma situação sem você,porque você é o único que restou da nossa família,pra mim. Você é o único que está comigo até hoje e se eu te perdesse eu não saberia o que fazer. Por isso eu te perdoo sempre. -Desabafei,chorando.
-Mana,eu sinto muito por tudo que te disse,mesmo. Eu não ... É só que eu acabei de perder meu filho. Eu fiquei louco! A minha mulher sumiu,ela talvez deve ter se suicidado,eu não sei o que faço,eu sempre coloco a culpa em você por causa da mamãe,mas eu acho que chegou a hora de admitir os meus erros e enfrentá-los ... Quem sabe você pode me ajudar também,eu não sei ... Eu não sei. - Ele disse chorando
-Conte sempre comigo maninho. - Eu o abracei,ele chorava muito e eu também. Suas palavras poderiam ferir e curar meu coração. Eu nunca tinha perdido um filho por isso eu não sabia o que ele estava sentindo. Talvez nesse momento eu tinha feito o mesmo que ele fez comigo a vida inteira. Isso tinha que parar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário